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A NOVA CAPELA

O principal impulsionador da nova capela construída no Cabeço e que tem como Orago Nossa Senhora do Bom Parto, foi o Padre Jaime recém-chegado à paroquialidade de Alvoco. Em 1944, na tarde do Domingo do Bom Pastor, acompanhado de António Dias Fontes, dirigiu-se a Vasco Esteves de Cima para se fazer um orçamento de reparação da terra da capela, que estava em ruínas. O Padre Jaime, ao verificar o montante elevado da reparação da velha torre de madeira, propôs ao Tesoureiro da Capela, António Antunes a construção duma nova capela, no sítio do cabeço, para aí ser colocado o sino e o relógio. A sugestão foi considerada óptima e o projecto da reparação da velha torre sineira foi abandonado.

Alguns dias depois, o Padre Jaime dirige-se a Unhais para falar com o Padre Alfredo Marques sobre a iniciativa em curso, que se compromete a ajudar a concretizar o projecto, oferecendo a cantaria dos portados “e tudo o mais que pudesse”. Por sua vez, o engenheiro da Penteadora compromete-se a elaborar o projecto da nova capela. Na primeira semana de Julho, o Padre Jaime assenta arraiais em Vasco Esteves de Cima. No dia 2 de Julho, com o tesoureiro e alguns rapazes, marcam no terreno a área e os alicerces da capela; nessa semana reúne com os chefes da família para nomear uma comissão de acompanhamento das obras e decide-se que cada chefe da família daria um dia de trabalho semanal, enquanto durassem os trabalhos de construção.


António Antunes, o tesoureiro da capela, foi escolhido para vigiar, dirigir, pagar, receber e atender possíveis reclamações. Foram ainda nomeados o encarregado e o pessoal, em cada um dos dias da semana: 

Segunda-feira, Amândio da Silva, encarregado e António Antunes, António Lopes da Silva, António Luis da Barroca, António Maria da Silva (que nunca compareceu) e Manuel Luís.
Terça-feira, Francisco Lopes, encarregado e Francisco Vicente, Jerónimo da Silva, João Alves, António Ramos, Rosa Joaquina e Maria dos Anjos Alves dos Santos.
Quarta-feira, Joaquim Lopes Figueiredo, encarregado e Joaquim Luís da Barroca, António Marques, José António da Silva, António Pedro Alves e Maria Bárbara dos Santos.
Quinta-feira, João Jerónimo dos Santos, encarregado e José Antunes (que morreu antes da conclusão da obra), José Marques Gonçalves, José Pedro Alves, António Luís e Maria Luís da Silva.
Sexta-feira, José Eusébio da Silva, encarregado e José Ramos, Manuel Gregório, Manuel Lopes da Silva, Joaquim Jerónimo e Mário Vicente.
Sábado, João Luís Mendes, encarregado e José António Marques, José Jerónimo, José Luis da Barroca, João Pedro Júnior e Maria de Jesus Silva.
Maria dos Anjos dos Santos Marques ficou dispensada do seu dia de trabalho semanal, pois que asseguraria a alimentação do Pároco e a alimentação e dormida aos pedreiros de cantaria que viriam de Unhais.
Além do trabalho gratuito e semanal registaram-se as seguintes ofertas:
- 2.050$00, que havia em caixa
- Uma subscrição feita pelo povo.
- 1.000$00, de José Antunes.
- Caibramento, em castanho, para o telhado, oferecido pelo povo da Lapa dos Dinheiros, por intermédio de José Eusébio dos Santos.
- Uma subscrição em Lisboa.
- 3.000$00, duma subscrição na Argentina, para a compra de um novo sino.
- 2.000&00, da venda de um pedaço de mato, que pertencia à capela de Nossa Senhora da Conceição.
- As ofertas do Padre Alfredo, juntaram-se as esmolas das festas, promessas e madeiras oferecidas pelo povo.
Para registo e memória da posteridade, eis os acontecimentos e datas marcantes deste património que o povo de Vasco Esteves de Cima levantou:
- Domingo do Bom Pastor de 1944, decisão da construção de uma torre sineira e capela.
- De 2 a 8 de Julho marca-se a área, decide-se o início dos trabalhos, organizam-se os grupos de trabalho gratuito e voluntário.
- Um ano depois, a 9 de Julho de 1945, os pedreiros de Balocas assentam a primeira pedra do cunhal, do lado do evangelho.
- No dia de Natal de 1946, depois dos trabalhos de conclusão, por parte dos pedreiros, verificou-se que a torre abriu fissuras, sobre a porta principal.
- No verão seguinte gastaram-se mais 2.000$00 com o derrube e nova construção da torre.
- A nova cúpula foi feita em tijolo e foi custeada pelo Padre Alfredo, que também ofereceu metade da telha.
- Depois de forrada a cúpula, feito o coro alto, colocadas as janelas, portas e cimentado o pavimento, a obra da capela parou por falta de dinheiro.
- Em 1948, Laureano dos Santos Gouveia, que vivia no Rio de Janeiro e veio passar alguns meses de férias a Vasco Esteves de Cima, vendo a dificuldade que o povo tinha em concluir a obra começada, foi falar a Unhais, com o seu tio, Padre Alfredo, que enviou artistas e materiais para completar a obra.
Finalmente, no dia 4 de Dezembro de 1948, D. Domingos da Silva Gonçalves, Bispo Coadjutor da Guarda, benzeu e inaugurou solenemente a nova capela.


Foi uma grande festa para o povo de Vasco Esteves de Cima a que se vieram associar os filhos da terra vindos de longe, todos os povos vizinhos e Alvoco, com a sua irmandade e associações.


Todos esperaram na estrada a chegada do senhor Bispo e o acompanharam por entres cânticos e o rebentar de foguetes até a à nova capela, situada no cabeço.
Estiveram presentes, o Pároco e alma da iniciativa, Padre Jaime Pinto Pereira, o Padre Alfredo, grande benemérito da construção da nova capela, o Padre António Lajes, de Loriga, Padre António Ferreira da Cruz, do Paul, Padre Joaquim Morgadinho, da Covilhã, Padre Hermínio Martins, de Unhais da Serra, Padre Cândido Abranches, da Vide, Padre José Mendes Leitão, de Sobral de Casegas, e o Padre Acácio, natural de Vasco Esteves de Cima e recém-chegado.

Além da missa solene fez-se uma procissão, com o Santíssimo Sacramento, à volta da capela. O almoço foi servido em casa de Maria dos Anjos. À tarde fez-se um sessão de homenagem ao Padre Alfredo e descerramento duma fotografia, na sacristia. Crianças de Alvoco recitaram poesias dedicadas ao Prelado, ao Padre Alfredo e à capelinha.


A construção da nova capela é bem o sinal da alma e do querer de um povo.
Daquilo que um povo pobre de bens, mas rico de fé, pode realizar, à custa do suor de muitos rostos e o rosto de muitos suores.


É um desafio aos vindouros. Um apelo. Um exemplo.

 

Fonte: Livro Alvoco da Serra de António Mendes Aparício 2007

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