Vida Religiosa

Inicialmente a festa das Chouriças, realizava-se nas proximidades do Carnaval, em Quinta-feira das Comadres. No “tempo da juventude dos mais velhos começou a guardar-se o dia”.

De 1933 a 1945 a festa realizava-se em Sábado Magro, penúltimo domingo antes do Carnaval. A partir deste ano, com a chegada do novo pároco, a missa começou a ser cantada pelo povo e como nos outros povos a festa não tinha a participação de nenhuma filarmónica, só alguns foguetes.

Em 1946 a festa foi mudada para o chamado Domingo Magro.

Em 1951 o povo pediu a mudança da festa para o Domingo de Carnaval, “o que não será muito viável”, regista o Padre Jaime.

Com a inauguração da capela de Nossa Senhora do Bom Parto começou a fazer-se uma outra festa, em sua honra, no último Domingo de Setembro, com música e participação de vários sacerdotes.

No Ano de 1951 os mordomos decidiram mudar a festa para o último Domingo de Agosto.

VIDA DE PIEDADE

A missa matinal de Alvoco, chamada a missa dos pastores, passou a celebrar-se na capela de Nossa Senhora de Bom Parto, aos domingos, a partir de 1949.

Talvez, graças a esta circunstância, Vasco Esteves de Cima é o povo que manifesta uma vida espiritual mais intensa. Um bom número comunga aos domingos e celebra as primeiras sextas-feiras e é rara a pessoa que não cumpre o preceito da desobriga.
Nos dias da semana reza-se o terço na capela velha e ao domingo na nova capela, orientado por Lucinda dos Santos, Maria Fernanda dos Santos e Maria Laurinda Antunes.

A catequese, a partir de 1944 passou a ser na capela a cargo das catequistas Lucinda dos Santos, Maria do Patrocínio Antunes, Maria do Carmo Marques e Maria José Antunes. Em 1951 eram catequistas Maria do Carmo Marques, Maria Laurinda Antunes, Maria de Lurdes Marques Gonçalves e Nazaré Eusébio da Silva.
Todas as crianças frequentam a catequese e pertencem à Cruzada Eucarística. Nos primeiros domingos de cada mês vão Alvoco fazer a sua comunhão reparadora.
Muitos residentes de Vasco Esteves de Cima pertencem à irmandade das Almas e à Associação do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário.Em 1951, o povo pagava ao Pároco, pela capelania, 1.500$00 anuais. Havia onze ementas e a Côngrua recebida pelo Pároco era de 25 alqueires a meio, à razão de meio-alqueire por família.

Fonte: Livro Alvoco da Serra de António Mendes Aparício 2007

Notícia Jornal do Fundão

Numa tradição herdada do único proprietário da loja da aldeia, os moradores ainda hoje quando precisam, vão à mercearia, servem-se, e apontam eles próprios na caderneta o que levam. As contas, fazem-se depois

São perto de 45 quilómetros de curvas e contracurvas, a partir da Covilhã, para se chegar ao anexo de Alvoco da Serra (com a abertura do túnel – 600m – no alto da Alvoaça, a distância diminuiria em mais de 15 quilómetros), Vasco Esteves de Cima. Um aglomerado de casas típicas bem conservadas e outras bem reconstruídas. Os espaços entre as moradias não admitem a passagem de veículos. Devido às acentuadas inclinações dos terrenos, nunca até ali existiram quaisquer tipo de animais domésticos (burros, vacas, cavalos, etc.).

Vasco Esteves de Cima

O amanho das terras foi sempre feito à força do braço humano. As casas alcandoradas na serra, algumas ainda com telhados em xisto, rodeadas de socalcos onde imperam videiras, árvores de fruto e algumas hortas, mais parecem incorporar um autêntico presépio. Segundo o, presidente da Junta de Freguesia, António Alves, a população residente, com idades superiores aos cinquenta anos, rondará os 70 habitantes. Aumenta nos fins-de-semana, atingindo o expoente máximo em Agosto, data em que se reúnem centenas de familiares, oriundos de vários pontos do país e estrangeiro.

Não havendo espaço físico para a construção de mais habitações ou exploração agrícola, desde há muito anos que os homens da localidade procuram melhores condições de vida noutras paragens. Foi assim para o Brasil e depois para a Argentina.

Daqui regressaram na década de 50 dando origem a um baby boom. Os “argentinos” longe das esposas tentaram recuperar o tempo. Os que tinham deixado filhos ainda pequeninos, assistiram ao casamento dos mesmos. Houve então um aumento de natalidade invulgar. Nasceram doze crianças, sendo que nalguns casos houve quem tivesse sido pai e avô no mesmo ano. A localidade é de facto pequena. Mas as histórias são inúmeras. Junto da capela de Nossa Senhora do Bom Parto, situa-se o Centro Cultural e Recreativo de Vasco Esteves de Cima. Local de encontro da terra, quer para a realização de festas, convívios, casamentos ou simplesmente para se ver a TV ou para uma partida de “Chincoin” – jogo de cartas com cinco participantes, trazido da Argentina e que, julga-se, em Portugal só aqui se joga.

É este espaço que mantém ainda outra actividade “herdada” do famoso Zé da Horta, dono do único estabelecimento comercial onde havia tudo. O Zé da Horta enviuvou. Quando tinha de se deslocar a Coimbra, Seia ou à Covilhã, deixava um cartão na porta do estabelecimento informando: “Fui a Seia. Se precisarem de alguma coisa entrem, sirvam-se e assentem na caderneta”. E assim era.

O comerciante faleceu e foi a colectividade a resolver o problema. Desde congelados, mercearia… ali há de tudo. Alguns dos sócios, sobretudo os que vivem fora, têm uma chave que lhes dá acesso aos produtos a qualquer hora. Em cima de uma mesa lá continuam as cadernetas onde se anota o que se leva. No fim do mês acertam-se as contas. Berço do fundador da Sociedade Industrial de Penteação e Fiação de Lãs de Unhais da Serra, Pe.

Alfredo dos Santos Marques, cujo nome foi dado à Barragem do Covão do Ferro, que também foi construída por sua iniciativa, Vasco Esteves de Cima, tem a viver lá uma anciã de que se orgulha. Maria de Jesus nasceu a 12 de Abril de 1907. Tem tido uma vida de trabalho, mas em compensação tem uma saúde invejável.

À parte da “vista um pouco fraca”, ainda se movimenta bastante bem. Trabalhou sempre no campo. E foi num desses dias de trabalho, tinha então 95 anos, depois da apanha da azeitona, que ao chegar a casa tossiu um pouco, provável princípio de alguma constipação. Uma vizinha adverte-a: “Isso deve ser gripe, vai ao médico para te tratar”. Resposta imediata: “eu estou farta de trabalhar todo o dia. Vai lá tu que não tens nada que fazer!…”


Numa outra ocasião um problema mais grave afectou-a, tendo que ser internada no hospital em Coimbra. Perdeu a consciência. Quando veio a si, viu-se rodeada de médicos e enfermeiros vestidos de branco que sorridentes a animavam e lhe perguntaram o que queria comer. Muito surpreendida, sem saber onde estava, respondeu: “não percebo. Então aqui também precisamos comer?” (Pensava estar no céu). A história contou-a ao “JF” quando a visitámos. “Veja lá onde já se viu isto.

Depois de morrer foram levantar-me para me darem de comer. Ora se já tinha morrido não tinham nada que me levantar.” Após mais uns minutos de conversa dirigiu-se à capela para rezar. À entrada vira- -se para nós e informa: “podeis ir embora que eu ainda demoro um pouco. Ainda tenho que fazer a Via Sacra”. E lá ficou.

Fonte: http://www.jornaldofundao.pt/noticia.asp?idEdicao=105&id=5673&idSeccao=998&
Action=noticia
 – Jolon

A nova Capela

O principal impulsionador da nova capela construída no Cabeço e que tem como Orago Nossa Senhora do Bom Parto, foi o Padre Jaime recém-chegado à paroquialidade de Alvoco. Em 1944, na tarde do Domingo do Bom Pastor, acompanhado de António Dias Fontes, dirigiu-se a Vasco Esteves de Cima para se fazer um orçamento de reparação da terra da capela, que estava em ruínas. O Padre Jaime, ao verificar o montante elevado da reparação da velha torre de madeira, propôs ao Tesoureiro da Capela, António Antunes a construção duma nova capela, no sítio do cabeço, para aí ser colocado o sino e o relógio. A sugestão foi considerada óptima e o projecto da reparação da velha torre sineira foi abandonado.

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Vida Admnistrativa da Capela

A capela de Nossa Senhora da Conceição sempre um mordomo para os assuntos correntes e para tirar esmolas pelo povo, duas vezes por ano, uma depois das colheitas e outra em Fevereiro, mas, “até 1951 mão há memória descritiva das capelas e dos povos”. “As contas eram de caixote”, na expressão do Padre Jaime.

Contudo: “A Junta da Paróquia de Alvoco da Serra, na sessão de 9 de Fevereiro de 1873, sob a presidência do Pároco, Padre António Francisco de Pina e com a presença dos vogais António Luís Monteiro de Pina e António Marques Pedroso tendo em vista para bem da religião acabar com certos abusos, que de há muito se cometem nos povos de Vasco Esteves de Cima, Vasco Esteves de Baixo e Aguincho com a relação das esmolas que anualmente se tiram as confrarias das Senhoras da Conceição, das Preces e de S. Domingos, único rendimento que têm: hei por bem determinar – que daqui para o futuro (à excepção do ano presente) cada uma das ditas confrarias tenha um mordomo, que será nomeado pela mesma Junta ou por eleição do povo respectivo que deverá sempre recair numa das pessoas mais novas e abonadas do mesmo povo ficando assim revogado o uso do costume de servir de mordomo e indivíduo que há menos tempo se tenha casado”.

Em seguida são enumeradas as obrigações do mordomo e do tesoureiro.
Até 1951, o tesoureiro era nomeado pelo Pároco, servia vários anos.
O mordomo da capela da Nossa Senhora de Conceição era nomeado pelo mordomo anterior e aceite pelo Pároco, servia um ano e tinha como obrigação principal organizar a festa das chouriças.

A capela de Nossa Senhora do Bom Parto tem o mesmo tesoureiro e quatro mordomos nomeados anualmente, que depois do S. Miguel, tiram uma esmola no povo e nos povos vizinhos.

Em 1951, interpretando o sentir do povo, o pároco achou por bem nomear uma comissão consultiva auxiliar e um secretário que teriam como obrigação:
Detectar as necessidades das capelas, fazer a escrituração das suas receitas e secretário; Amândio da Silva, tesoureiro e mordomos de Nossa Senhora do Bom Parto: António Eusébio da Silva, António Lopes da Silva, José Eusébio da Silva e Maria dos Anjos Alves dos Santos; para a Comissão foram nomeados:
Artur Luís e Manuel Luís.

Desce a fundação da capela, a limpeza, o arranjo e cuidado das alfaias litúrgicas têm estado a cargo de Maria do Carmo Marques e Maria Laurinda Antunes que têm feito um excelente trabalho. São Também as guardiãs da chave da capela.

Fonte: Livro Alvoco da Serra de António Mendes Aparício 2007

A Capela

capela nsra bom parto

A primeira capela de Vasco Esteves de Cima tem como Orago Nossa Senhora da Conceição e deve ter começado a construir-se em 1649, como consta dos Livros de Visitações.

O Livro de Visitações de 1650, folhas 50, reza assim: “E ordeno assim aos do Casal d’ Alem mandarão acabar a que têm começado em tempo de um mês com pena de dois mil reis. E tendo acabada achando o Padre-cura estar decente e com perfeição poderá dizer missa nela para o que lhe concedo licença”.

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Aldeia Vasco Esteves de Cima

A respeito do topónimo de Vasco Esteves de Cima refiro o que já disse sobre o topónimo de Vasco Esteves de Baixo. Várias foram as suas designações para o distinguir do seu homónimo: Vasco Esteves do Cabo, de lá, d’ Alem e finalmente Vasco Esteves de Cima.

Vasco Esteves deve ter sido um rico proprietário que desbravou, valorizou e transformou a agricultura e pecuária desta zona, impondo-se pelo seu dinamismo, e espírito de iniciativa aos outros casais. Com um perfil de chefia reconhecido por todos.

O topónimo será assim a expressão da admiração que lhe votaram os seus contemporâneos e descendentes. Leia mais